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MENINO MORTO NA CRACOLÂNDIA DO RJ SONHAVA EM VOLTAR A ESTUDAR


JORNAL O GLOBO ON LINE
Dia 11 janeiro 2013



No último dia 25, última vez em que foi visto pelos vizinhos do beco da Vila Cruzeiro, Rafael Mota Ribeiro, de 10 anos, sacudia para os vizinhos o presente de Natal que acabara de ganhar.

— Olha a roupa boladona que eu ganhei da vovó, Aline! — exibia-se para a manicure Aline Neves, uma vizinha que o viu nascer.

— Maneiro, Rafinha! Não vai sumir de novo, que eu não vou mais atrás de você!

— Pode deixar, Aline! Esse ano, eu vou estudar. Minha vovó vai arrumar escola para mim — sonhou.

Mas 2013 só durou dez dias para o garoto. Dependente de crack, Rafael morreu na manhã desta quinta-feira atropelado na Avenida Brasil, fugindo de uma operação municipal de acolhimento de usuários de crack. O motorista fugiu.

Era o desfecho trágico de uma vida que teve o crack como protagonista. O menino fumava a pedra desde os 8 anos. Passava dias sem aparecer em casa. Desta vez, estava sumido há nove. Parou de estudar em 2012, enquanto aprendia uma lição bem distante da rotina amena dos bancos escolares: segundo a avó, Marta, e a vizinha Aline, via a própria mãe, Renata, usando drogas em casa.

Nesta quinta-feira à tarde, no enterro do menino, entre o choro e o riso, como se fora de órbita, Renata desmentia a versão de vizinhos e de sua própria mãe.

— Ele fugia. Se eu deixasse (Rafael usar crack), ele não estava lá. Saía muito de casa para vender bala no trem e no ônibus. Ele só fumava um baseado — afirmou, durante o cortejo fúnebre, escorando o peso e o desespero em um franzino menino de 14 anos.

Era seu outro filho, irmão de Rafael, que vagou na quarta-feira passada pela Avenida Brasil em busca do irmão. As duas crianças, além de Renata e Marta, a avó, dividiam o sobradinho da família com um tio.

A casa dos cinco se esconde em um beco, com esgoto vazando no chão, e postes com marcas de tiro. Na casa, todos dormem num só cômodo. Segundo Marta, Renata usava drogas desde a gravidez.

Manicure, bordadeira e faxineira, a avó revezava-se entre o drama da filha e a agonia do neto. À noite, recorria às vizinhas para ajudá-la a achar o garoto:

— Eu sempre ia buscar o Rafael na Avenida Brasil. Há dois dias, fui lá. Não o achei. Insisti, mas a Renata não foi.

Ontem, no Cemitério do Caju, a família Mota Ribeiro reuniu-se pela última vez. Numa oração, pediram pela alma do menino.

 

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