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A MORTE DE CRIANÇA NA CRACOLÂNDIA DO RJ PODERIA SER EVITADA



JORNAL O GLOBO ON LINE, 11 janeiro 2013
Por Clarissa Monteagudo


Especialista em segurança pública e internacional e fundadora do Instituto Igarapé, Ilona Szabó de Carvalho afirma que a morte do menino Rafael, atropelado nesta quinta-feira em uma operação da prefeitura da cracolândia, era anunciada e poderia ser evitada se a prefeitura adotasse uma política de criação de vínculos com os usuários, através de centros sociais e clínicas de rua. Ela diz que os métodos certos de abordagem são mais lentos, mas o crack pode ser combatido. Sem violência.

Que lição o Rio pode tirar dessa morte?

Isso é anunciado. Já sabíamos que aconteceria pelo tipo de abordagem. Quando as pessoas têm medo, elas fogem. A internação compulsória é uma medida de exceção, quando a pessoa tem a vida ameaçada ou ameaça a vida de outro. A internação não tem eficácia no tratamento: 90% dos internados reincidem.

Qual o caminho para o combate ao crack?

O único caminho é a criação de um vínculo de confiança. Os usuários de crack são pessoas que não tiveram uma vida normal, já sofreram violação, abusos. É preciso investir na criação de consultórios de rua, nos médicos de família, nos centros de atenção a álcool e drogas. E, quando precisam de internação, a emergência dos hospitais.

O que a senhora pensa da atual política de combate ao crack?

A política de combate não pode causar mais danos do que o consumo. O mundo inteiro notou que não adianta tratar o consumo de drogas dessa forma. O Brasil, em vez de entrar no debate, mantém, no Rio e em São Paulo, esses métodos. São Bernardo do Campo criou uma rede terapêutica excelente. É só olhar para o lado.

A culpa dessa morte é do crack?

A morte dessa criança era evitável. A culpa não é do crack. Adoraria que o prefeito respondesse de quem é a culpa dessa morte. É lamentável, por ser uma criança pobre e dependente de drogas, ninguém vai atrás. Eu estou muito chateada. Uma coisa dessas acontece e ninguém paga essa conta. É como se a pessoa fosse um câncer, ninguém quer olhar. Se fosse uma criança de classe alta, seria um escândalo, uma comoção.

O crack tem remédio?

Sim, o crack tem remédio e eles não estão sabendo dar o remédio certo. Não é fácil, mas é possível. Existem também as denúncias de todos os abusos e violações nos abrigos. Se o estado vai tutelar sobre a vida de uma pessoa, tem que ser mais responsável. Até hoje não há um protocolo da prefeitura dizendo como vai curar essas pessoas. É lamentável, anunciado, equivocado. Quem mais vai ter que pagar por isso? É só conversar com médicos e entidades. Há soluções mais demoradas, mas eficazes. Elas existem. A prefeitura tem que conversar com a sociedade.

 

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