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CIGARRO ELETRÔNICO E O RISCO DA DEPENDÊNCA


Revista ÉPOCA - 05/05/2014
Reportagem: MARCELA BUSCATO, ISABELLA CARRERA E JÚLIA KORTE


Nas esquinas das grandes cidades, e até mesmo em lugares fechados, pode ser visto, de forma cada vez mais frequente, um novo grupo de fumantes. Eles são adeptos do cigarro eletrônico e querem ser chamados de “vapers”, referência ao vapor liberado pelo dispositivo. Em vez de queimar tabaco e soltar fumaça, o cigarro eletrônico vaporiza um líquido que contém nicotina, a substância viciante do fumo. Ela é combinada a essências que imitam sabores de frutas, café, chocolate e, claro, tabaco. Muitos dos que usam o cigarro eletrônico se consideram ex-fumantes. Na internet, contam há quantos dias estão “sem fumar”, soltando baforadas de vapor.

Alardeado como a versão segura do cigarro, o aparelho de fumar se populariza rapidamente. Embora cheire menos e não produza fumaça, a atmosfera em torno dele não é menos enevoada. Há muitas dúvidas sobre os efeitos do vapor aromatizado sobre a saúde. Também se discute intensamente seu potencial para causar dependência. Embora recente, o cigarro eletrônico, também chamado de e-cigarro, está no centro de um grande debate de saúde pública. Teme-se que signifique um novo vício – ou a reinvenção do tabagismo, que ainda mata 200 mil pessoas por ano no Brasil.

“Já temos uma legião de viciados em cigarro eletrônico no Brasil”, diz a cardiologista Jaqueline Issa, diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Instituto do Coração, em São Paulo. “As pessoas acham que ele não faz mal à saúde e acreditam que vai ajudá-las a abandonar o cigarro tradicional. Só que ele pode ser ainda mais viciante.” Por liberar grandes quantidades de nicotina, oferecer sabores diferentes e não soltar fumaça, os cigarros eletrônicos se tornam uma combinação irresistível para muitos fumantes. O objetivo inicial – diminuir gradualmente o teor de nicotina do eletrônico até deixar a dependência – dissipa-se como vapor. Ao final, troca-se um vício por outro.

Fumante desde os 15 anos, o empresário paulista Raphael Maselli, de 24 anos, diz que sempre pensou em parar de fumar, preocupado com a saúde. Até experimentar o cigarro eletrônico,  três meses atrás, numa viagem aos Estados Unidos. Desde então, trocou os cinco ou seis cigarros comuns que fumava diariamente por um número de baforadas eletrônicas que não se dá ao trabalho de contar. Agora, não pretende mais parar. “O eletrônico tirou a parte desagradável do hábito de fumar: a fumaça, o gosto e a indisposição que me causava”, diz Maselli. “Ficou só o prazer.”

Ao contrário dos consumidores, as autoridades de saúde pública não estão certas das vantagens do cigarro eletrônico sobre o comum. Na semana passada, a FDA, a agência americana que controla alimentos e remédios, divulgou sua proposta de regulamentação. Os fabricantes terão de registrar os produtos, não poderão fazer afirmações de que são mais seguros do que o cigarro comum (a não ser que provem com estudos) e terão de estampar no rótulo que a nicotina é viciante. Tampouco poderão vender os cigarros eletrônicos nos locais em que adolescentes possam com­prá-los. Pode levar anos até que as empresas sejam obrigadas a cumprir as exigências. A Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda o uso do cigarro eletrônico. Pelo contrário. Um documento obtido pelo diário britânico Financial Times revela que a OMS estuda classificar os cigarros eletrônicos exatamente da mesma forma que o velho – e sabidamente mortal – cigarro. A União Europeia aprovou em fevereiro uma lei que enquadra o dispositivo nas mesmas regras do cigarro comum. Se aprovada por todos os países do bloco, a lei deverá vigorar a partir de 2016.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda do cigarro eletrônico em 2009. Isso não impede que um número crescente de brasileiros empunhe o dispositivo em locais abertos – e até em ambientes fechados (algo proibido por lei, porque são considerados produtos que liberam uma espécie de fumaça). Embora ilegal, os brasileiros compram o produto na internet, em sites em português, por preços que vão de R$ 60 a R$ 300. Os dispositivos também costumam vir na mala, de países onde não há restrições à venda, como os Estados Unidos. “Não temos planos de rever a proibição até os fabricantes apresentarem estudos”, diz Ana Cláudia Bastos de Andrade, gerente-geral de produtos derivados do tabaco da Anvisa. “Não recebemos nenhum até agora. Provavelmente, porque eles não conseguem comprovar a segurança.”

Os médicos estão preocupados com a falta de estudos sobre o efeito do vapor com nicotina sobre a saúde. Também não se sabe se o e-cigarro funciona como um meio eficaz para acabar com a dependência de nicotina. Teme-se que ele se torne um vício substituto, atingindo até quem não fuma. Como existem refis só com sabores, sem a substância viciante, os não fumantes podem se sentir inclinados a experimentar. Quem estuda dependência diz que esse é um passo perigoso em direção aos líquidos com nicotina, uma potencial porta de entrada para o tabagismo.

A ideia de que os eletrônicos são a versão menos perigosa do cigarro nasceu com a criação do primeiro dispositivo vendido em massa, em meados dos anos 2000. Seu inventor, o farmacêutico chinês Hon Lik, buscava uma forma menos tóxica de obter suas doses diárias de nicotina. Depois de ver o pai, também fumante, morrer de câncer de pulmão, Lik criou um sistema em que não era preciso queimar o tabaco para liberar nicotina, substância responsável pelo prazer almejado pelos fumantes (leia o quadro abaixo). No aparelho criado por Lik, a nicotina é diluída numa substância que pode ser transformada em vapor e aspirada, geralmente um composto chamado propilenoglicol. Ele é usado em medicamentos e cosméticos, mas não há consenso sobre os efeitos de inalá-lo no longo prazo. A ideia de vaporizar a nicotina com o propilenoglicol é evitar a queima do tabaco. Ela libera as mais de 4.700 substâncias presentes no cigarro tradicional, muitas com potencial para causar câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias graves – e faz dele o maior causador de mortes evitáveis no mundo.
 
Em tese, o cigarro eletrônico é tudo o que os fumantes e a indústria do tabaco queriam: um produto “seguro”. “O cigarro eletrônico é o mais perto que a indústria chegou de uma alternativa viável aos cigarros tradicionais, que estão em declínio terminal”, afirma Zora Milenkovic, chefe do setor de pesquisa de tabaco da Euromonitor International, empresa britânica de pesquisa de mercado.

O setor enfrenta restrições severas. O movimento antitabagista culminou, em 2003, num acordo histórico, ratificado por 178 países, entre eles o Brasil. A Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco restringe a propaganda de cigarros, aumenta impostos sobre o produto e facilita o acesso ao tratamento contra o vício. Esforços como esse, de décadas, surtiram efeito. O número de fumantes está em queda vertiginosa. Se 42% da população adulta dos EUA fumava nos anos 1960, hoje esse número não passa de 18%. No Brasil, que tem uma das políticas mais duras sobre o cigarro, o índice chegou a 15%, segundo um levantamento de 2012 da Universidade Federal de São Paulo.

Preocupadas com seu futuro, as grandes empresas de cigarro começaram a avançar sobre os fabricantes de aparelhos de fumar. A Imperial Tobacco, segunda maior produtora de cigarros na Europa, comprou no ano passado a chinesa Dragonite, criada por Lik. Outras companhias apostaram num caminho diferente e desenvolvem seu próprio dispositivo. O modelo criado pela americana R.J. Reynolds foi lançado no Estado americano do Colorado no ano passado. A empresa pretende distribuí-lo nacionalmente até julho. Com os dispositivos, as empresas vendem os refis que alimentam os aparelhos. Eles formam a ponte entre a velha e a nova indústria de cigarros. É por causa dos refis que analistas de mercado apostam que os cigarros eletrônicos têm potencial para se transformar no novo grande negócio do setor de tabaco.

O desafio de mudar completamente a produção – de tabaco queimado para nicotina inalada – é comparável a trocar a frota de carros de motor a combustão por motores elétricos. Os dispositivos eletrônicos ainda são uma fatia pequena da indústria. Nos EUA, maior consumidor de cigarros eletrônicos do mundo, representam menos de 1% de um mercado anual de US$ 100 bilhões. Para analistas, é sinal de que há espaço enorme para crescimento. Um relatório do Citi Group, publicado no ano passado para orientar ações de investidores, considera o cigarro eletrônico uma das dez tecnologias revolucionárias em que apostar. Com base na expansão mundial do setor, que movimentou no ano passado US$ 2 bilhões, o serviço de informações econômicas Bloomberg estima que as vendas de cigarros eletrônicos superarão as vendas de cigarros tradicionais em 2047.

A entrada das grandes indústrias nesse mercado contribuiu para dar visibilidade ao produto. Antes de a gigante americana Lorillard comprar a empresa de eletrônicos Blu Ecigs, em 2012, a marca era distribuída em 10 mil pontos nos EUA. Com a aquisição, a Lorillard expandiu a venda para 25 mil pontos. Algo semelhante acontece com a propaganda. O gasto publicitário aumentou 700%, entre 2010 e 2011, e 400% em 2012, segundo o relatório do Citi Group. Há quatro anos, 86% do gasto estava espalhado entre internet e outras mídias dirigidas. Em 2012, quase 90% da verba passou a se concentrar em TV e revistas, uma mudança que pôs o cigarro eletrônico mais perto do grande público.

O entusiasmo da indústria de tabaco provoca reações proporcionais – e inversas – do movimento antitabagista. “Se a indústria está interessada, temos de ficar com um pé atrás”, diz o pneumologista Ricardo Henrique Meirelles, do Instituto Nacional de Câncer, o Inca. “Eles querem vender o produto deles, a nicotina, uma substância sabidamente viciante.” A maior preocupação dos que lutam contra o tabagismo é que, após décadas  mostrando os malefícios do cigarro e erodindo sua aura de glamour, fumar seja considerado, novamente,  como normal e inofensivo. Graças ao cigarro eletrônico. “É um retrocesso. O cigarro eletrônico é promovido como seguro e parte de um estilo de vida”, afirma a socióloga Paula Johns, diretora executiva da organização não governamental Aliança de Controle do Tabagismo. “Os fabricantes usam os mesmos métodos de antigamente: colocam os cigarros nas mãos de celebridades e em filmes de Hollywood”, diz Paula. A Blu, uma das marcas mais conhecidas de cigarros eletrônicos, tem como garota-propaganda a curvilínea atriz americana Jenny McCarthy. Ela já é famosa por outra contribuição às avessas para a saúde pública: afirma que vacinas causam autismo. Num vídeo no site da Blu, a decotada Jenny empunha o dispositivo e entoa um slogan duvidoso: “Toda a diversão do cigarro sem nenhuma culpa”.

ÉPOCA procurou as empresas citadas nesta reportagem e a associação que reúne fabricantes de cigarros eletrônicos, a Sfata, para comentar o assunto. Até o fechamento desta edição, apenas a J.R. Reynolds respondeu. “Nosso produto é tabaco. Ele não é para combater o tabagismo, e não alegamos que não faz mal à saude. Ele é vendido apenas em lojas em que o balconista pode conferir a idade do comprador”, diz em nota.
Os especialistas estão divididos entre reduzir danos entre os fumantes e o risco de viciar uma nova geração

Pesquisadores americanos constataram que, na prática, a atitude de muitos fabricantes e distribuidores é diferente. O grupo do Centro para Educação e Pesquisa de Controle do Tabaco, da Universidade da Califórnia em San Francisco (UCSF), um dos mais ferozes opositores do cigarro eletrônico, analisou o conteú­do de 59 sites em inglês que vendem o dispositivo. Em 95% deles, encontraram insinuações de benefícios para a saúde, como os dizeres “sem alcatrão” (substância presente no cigarro comum que contém agentes cancerígenos). Mais de 40% dos sites associam o uso a status social e insinuam que o usuário será visto como lançador de tendências. “A propaganda é dirigida aos jovens”, afirma a epidemiologista americana Lauren Dutra, da UCSF.

Lauren diz que os refis com sabores e o design do aparelho, que lembra cada vez menos os cigarros comuns, também são formas de atrair os jovens. A tática  de desenhar cigarros eletrônicos que se parecem com canetas parece surtir efeito. O centro de vigilância epidemiológica americano, o CDC, desconfia que muitos estudantes respondem “não” à pergunta “Você já experimentou um cigarro eletrônico?” porque não consideram os “vaporizadores” que fumam como cigarros eletrônicos. Mesmo com essa possível falha de comunicação, o levantamento mais recente do CDC mostra que o uso do e-cigarro entre adolescentes dobrou em um ano. Em 2011, 3,3% dos estudantes entrevistados haviam experimentado. Em 2012, esse número passara para 6,8%. Uma análise publicada no mês passado sugere que os jovens que usaram o modelo eletrônico fumavam mais cigarros comuns e tinham menos chances de deixar o vício. “Não sabemos o que veio primeiro: o eletrônico ou o tradicional”, diz Lauren.

A história do estudante paulistano V.M., de 17 anos, é o pesadelo de pesquisadores como Lauren. V. fumou cigarros tradicionais dos 13 aos 15 anos. Preocupado com a saúde, conseguiu parar. Isso até quatro meses atrás, quando ganhou um cigarro eletrônico de uma amiga de 16 anos que diz ter comprado o produto num shopping de São Paulo. “Voltei a fumar porque me falaram que não faz mal à saúde”, diz V. “Por causa do eletrônico, tenho vontade de usar cigarro comum novamente, mas estou resistindo.” Ele diz fazer planos para abandonar também a versão eletrônica: “Sinto muita falta de ar com ele, vou ao médico investigar”.

Ainda não há estudos suficientes para garantir que os cigarros eletrônicos não façam mal à saúde. Os primeiros trabalhos apenas começam a ser discutidos pela comunidade científica. Eles sugerem que, para fumantes que não querem deixar o tabagismo, os eletrônicos podem ser usados como uma forma de reduzir danos à saúde. “Quando comparados aos cigarros comuns, os eletrônicos parecem menos nocivos”, diz o pesquisador polonês Maciej Goniewicz, responsável por algumas das pesquisas pioneiras sobre o cigarro eletrônico. “Se são totalmente seguros, é uma pergunta a que ainda não sabemos responder.” Maciej é pesquisador do Roswell Park Cancer Institute, nos EUA.

Um estudo feito por sua equipe com 12 marcas de refis de cigarro eletrônico sugere que o vapor produzido tem concentrações de substâncias tóxicas entre nove e 450 vezes menores que as encontradas na fumaça do cigarro tradicional. Os pesquisadores não sabem se mesmo essas concentrações menores são seguras por um período prolongado. Os efeitos a longo prazo da nicotina – para além da dependência química – não foram completamente desvendados. Há suspeitas de que ela afete as células dos vasos sanguíneos e favoreça o acúmulo de gordura. Isso pode causar problemas como infarto e derrames.

Por ora, o único efeito físico dos cigarros eletrônicos observado em laboratório é a dificuldade respiratória. Um estudo feito com 30 voluntários na Grécia sugere que fumar apenas cinco minutos é o suficiente para diminuir o fluxo de ar nos pulmões. A pesquisa foi feita com poucos participantes, e os resultados precisam ser reproduzidos por outros grupos. Os pesquisadores, liderados por Constantine Vardavas, estimam que os efeitos podem ser ainda mais pronunciados.
 
A eficácia dos eletrônicos como estratégia para parar de fumar é tão duvidosa quanto seu efeito sobre a saúde. Há casos de adeptos do dispositivo que conseguiram diminuir a gradação de nicotina do refil até não precisar mais da substância. A dona de casa Antonella Grinover, de 54 anos, fumante há 30, é um deles. “Fui diminuindo o teor dos refis a cada semana”, diz Antonella. “Em dois meses, só usava o líquido sem nicotina.” O hábito de fumar – ainda que só o vapor – se mantém. “O cigarro eletrônico é como um brinquedinho”, diz.

Para que o cigarro eletrônico seja considerado um método eficaz contra o tabagismo, casos de fumantes que conseguiram abandonar o vício devem ser acompanhados de perto e documentados em estudos científicos. É isso que alguns grupos de pesquisadores começam a fazer. Os primeiros resultados são controversos. O levantamento mais recente foi divulgado pelo grupo da Universidade da Califórnia em San Francisco. Dentre os 861 fumantes que não usavam o dispositivo, 13,8% relataram ter parado de fumar após um ano. Entre os que usavam – uma amostra menor, de 88 voluntários –, 10,2% haviam parado. “Alegações de que os e-cigarros ajudam a parar de fumar não têm base científica e deveriam ser proibidas”, afirma a clínica geral Pamela Ling, uma das autoras do estudo. O médico neozelandês Christopher Bullen chegou a resultados diferentes, publicados no ano passado. Ele comparou a eficácia dos eletrônicos aos adesivos de nicotina, uma estratégia antiga na luta contra o tabagismo. Os e-cigarros tiveram eficácia um pouco superior. Após seis meses, 7,3% dos voluntários deixaram o vício com eles. Só  5,8% conseguiram o mesmo com os adesivos. A conclusão – óbvia – é que são necessários mais estudos para chegar ao consenso. Isso pode demorar. “Dá para contar nos dedos as pesquisas sérias em andamento”, diz Bullen.

O consultor financeiro Marcelo Gueldini, de 39 anos, descobriu que deixar de fumar com o auxílio de cigarros eletrônicos não é tão simples. Ele usa o dispositivo há quatro anos, desde que viu o ator americano Johnny Depp usar um modelo no filme O turista (2010). “Se paro de usar, preciso recorrer às pastilhas de nicotina para não voltar ao cigarro comum”, diz Gueldini. “Troquei um vício por outro.”

Enquanto faltam estudos, o cigarro eletrônico ganha espaço. Nos EUA, o FDA proibira sua venda, mas a Justiça americana cedeu à pressão dos distribuidores e revogou a proibição em 2010. Desde então, os cigarros eletrônicos são vendidos no país – e chegam até o Brasil – sem fiscalização sobre o conteúdo dos refis. A equipe de Maciej, do Roswell Park Cancer Institute, descobriu que 25% de 32 amostras de refis analisadas tinham um teor de nicotina diferente do informado no rótulo. Em alguns, havia até 103% a mais, uma imprecisão que pode prejudicar quem tenta parar de fumar. Pior: em refis que se apresentavam como “sem nicotina”, havia traços da substância. “Ainda não sabemos se essas quantidades de nicotina criam dependência”, diz Maciej.

Como não há controle de qualidade, podem ser usados na fabricação dos refis produtos ou substâncias nocivos à saúde. Dos cinco usuários entrevistados por ÉPOCA, três relataram problemas que não ocorriam quando fumavam os cigarros comuns. Eles falaram de falta de ar e dores na garganta após fumar o conteúdo. O engenheiro Bruno Simões, de 37 anos, cuja foto abre esta reportagem, teve problemas de saúde, que atribui à marca do dispositivo que usava. “Comecei a ter pressão alta e dor de cabeça, problemas que não tinha antes de usar aquela marca e desapareceram quando parei”, afirma Simões. Ele trocou de modelo e segue fumando cigarros a vapor.

A maneira como os governos regularão os cigarros eletrônicos será decisiva para determinar o espaço que eles ocuparão no futuro. Proibi-los definitivamente suscita questões éticas: seria justo privar fumantes inveterados de uma alternativa que pode ser menos nociva? Se forem considerados como produtos derivados do tabaco, estarão sujeitos às mesmas regras do cigarro comum. Isso os tornará mais caros, por causa dos impostos, e menos visíveis para o público, graças às restrições de propaganda. Se forem tratados como produtos médicos para mitigar o tabagismo, os fabricantes terão de submeter seus produtos a longos e caros processos de aprovação. O pior cenário é o atual: sem nenhuma regulação – ou com proibições facilmente burláveis, como no Brasil –, os cigarros eletrônicos são promovidos livremente e podem alcançar até os não fumantes.

 

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