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BEBIDA ALCOÓLICA


Revista Superinteressante Especial
Texto: Pedro Biondi

 

ÁLCOOL: UM LÍQUIDO SEDUTOR E CORROSIVO
O álcool é uma droga tão antiga e poderosa que tem até deus mitológico: Dionísio para os gregos, Baco para os romanos.o líquido-síntese da água e do fogo, celebrado pelos poetas, boêmios e escritores românticos, remonta a milhares de anos antes de Cristo. A Bíblia registra um porre de Noé. É a droga mais devastadora da humanidade, uma sereia que seduz e em seguida afoga suas vítimas.

 

Beber pode ser agradável sem prejudicar a saúde. O primeiro efeito é o bem-estar. Um drinque entorna alegria, desinibição, segurança. O álcool é uma substância que ultrapassa facilmente as membranas celulares e em minutos encharca todos os órgãos e tecidos. Mesmo o cérebro, protegido por fitros bioquímicos, é imediatamente invadido. Com uma dose, o fluxo sanguíneo aumenta, o coração acelera e há uma melhoria dos reflexos. A memória e a concentração ficam mais aguçadas. A maioria das pessoas fecha a garrafa nessa fase, mas 10% dos que bebem seguem em frente, e de estimulante o álcool passa a depressivo, de recreação torna-se doença. Os principais órgãos adaptam-se à devastação da bebida e pervertem suas funções originais. O fígado, que converte o álcool num produto ainda mais tóxico, o acetaldeído, fica escravo da bebida e acaba negligenciando o metabolismo dos alimentos, o que leva ao acúmulo de toxinas e de gorduras no sangue.

 

Os Limites para quem quer beber sem abusar: Ao contrário das outras drogas legalmente proibidas, o álcool comporta uma "margem de segurança" entre a sobriedade e a embriaguez. Um adulto dificilmente fica bêbado com um copo de cerveja, mas duas ou três tragadas de maconha costumam alterar a cabeça de muita gente. Os médicos consideram moderado um consumo de até 40 gramas de álcool. Para saber quantas gramas você engole, faça a seguinte conta: volume de bebida consumida (em mililitros) x o teor alcoólico x 0,8. em seguida, divida o resultado por 100.

 

SINTOMAS QUE IDENTIFICAM O ALCOÓLATRA
As sensações entre o último e o próximo gole determinam se uma pessoa tem uma doença grave e universal, catalogada pela Organização Mundial da Saúde com alcoolismo. No ano passado, os hospitais brasileiros registraram 80 000 internações motivadas pela bebida. Existem 15 milhões de alcoólatras no país. Dos dependentes internados em clínicas, 70% voltam a beber. A maioria das vítimas se recusa a admitir o problema. Garante que "bebe socialmente" e pode parar quando quiser. É delírio de bêbado. O mal não é uma fraqueza moral e sim uma enfermidade crônica que, de trago em trago, devasta a mente e o corpo.É ou está se tornando alcoólatra quem consome álcool compulsivamente, acorda nervoso, com náuseas e melhora depois de trago, entorna antes do almoço, sente-se mais seguro e apto depois de um copo, ou esquece o que fez na bebedeira.Fatores hereditários, costumes sociais e o estresse empurram os indivíduos para a bebida, e a freqüência e o volume determinam a dependência. O álcool se torna o principal combustível físico e espiritual do dependente. A maioria pode passar dias sem comer, nutrindo-se da alta dose de energia da bebida. A sobriedade é um tormento. Se não beber, o alcoólatra tem crise de abstinência. Alterá-se, irrita-se, ouve vozes, vê bichos, sofre temores e até mesmo convulsões. Para essa doença s’existe um remédio conhecido como: abstinência total.

 

FICHA TÉCNICA
Nome: Álcool etílico
Classificação: Depressor do sistema nervoso central.
De onde se extrai: O álcool e resultado da ação de bactérias (fermentação) sobre açúcares presentes no mel, em cereais e em algumas frutas.
Origem: Mundial. Os fermentados surgiram na Pré-História. Existem registros da fabricação de cerveja no Egito que datam de 3500aC. Os destilados já eram fabricados na Índia há quase 3000 anos.

 

O AMIGO DO CORAÇÃO
Um cálice de vinho às refeições enleva a alma e calibra o coração. Inúmeras pesquisas, das quais a mais famosa é a de S. Renaud e M. De Lorgeril, publicada na revista científica Lancet em 1992, sugerem que o álcool e outros componentes do vinho reduzem o risco de infarto. O levantamento indica que as doenças coronarianas são menos comuns na França do que em outros países europeus, apesar de todos terem os mesmos fatores de risco, como colesterol e pressão altos, gordura, tabagismo e sedentarismo.

 

A diferença é o gole diário de vinho. Outra pesquisa, no Instituto do Coração das Clinicas de São Paulo, em 1996, revelou que coelhos aos quais foi dado vinho junto com a comida tinham uma incidência menor de arteriosclerose do que os que tomavam apenas água ou suco de uva. A dose recomendada – só para adultos – é de dois ou, no máximo, três cálices de vinho tinto por dia.

 

SAÚDE PÚBLICA QUANDO O PRAZER VIRA DOENÇA
Mais que um embate entre o vício e a virtude, o estonteante consumo das drogas legais mais comuns, o álcool e o cigarro, é , no Brasil, um grave problema de saúde pública. A dupla vicia, causa transtornos econômicos e sociais e mata. Uma projeção das estatísticas americanas indica que 10% dos brasileiros são alcoólatras e 35%, fumantes. Em geral, o individuo associa as duas práticas – com a ressalva de que, se fumar é vício, beber demais é doença classificada pela Organização Mundial de Saúde. O mal só se expande. Uma pesquisa feita em 1997 com estudantes do 1.º e 2.ºgraus das dez maiores capitais brasileiros revelou que 15% fazem "uso freqüente" de álcool e 6,2% de tabaco. Os males causados pelas drogas legalizadas impõem custos pesados aos serviços públicos de saúde. O fumo causa ou ajuda a causar cerca de 25 doenças, como as cardiovasculares, que matam 300 000 brasileiros por anos. As estatísticas são precárias, mas mapeamentos localizados indicam que, além de devastar a saúde, o álcool é um problema social. Segundo o presidente nacional doa AA (Alcoólicos Anônimos), o psiquiatra Luiz Renato Carazzai, o álcool lota os prontos - socorros nos fins de semana e esvazia as empresas nas segundas-feiras (os alcoólatras faltam dez vezes mais nesse dia do que os que não bebem). É responsável por metade dos internamentos em clinicas psiquiátricas e por 90% do total de internamentos por problema de droga. A pesquisadora Gilka Fígaro Galtas, da Faculdade de Medicina da USP, concluiu que a bebida causa de 80% a 90%dos casos de câncer de boca.

 

A PALAVRA ALCOOLISMO
Foi cunhada pelo médico sueco Magnus Huss, em 1849, para definir o conjunto de males vinculados ao consumo excessivo e prolongado de bebidas. É uma doença crônica, cujos efeitos podem se transmitir para os descendentes por meio da "síndrome alcoólica fetal"- uma degeneração que se manifesta em filhos de mães dependentes da bebida, caracterizada por má-formação e retardamento mental, entre outras anomalias. A única cura possível do alcoolismo é a total abstinência
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