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ARSENAL DE REMÉDIOS CONTRA O TABACO


Revista Veja, maio de 2006
Texto de Paula Neiva

 

 Oito em cada dez fumantes querem parar de fumar de uma vez por todas. Apenas uma pequena parcela deles, no entanto, consegue atingir o objetivo. A boa notícia é que um novo medicamento aumentará o arsenal contra o tabagismo - o varenicline, recém-aprovado nos Estados Unidos. Ao agir diretanlente nos receptores cerebrais de nicotina, ele corta a vontade de fumar e, ao mesmo tempo, bloqueia a sensação de prazer que a nicotina proporciona. Ou seja, mesmo que o paciente sofra uma recaída durante o tratamento, não terá aquela sensação agradável que todo fumante relata depois de algumas tragadas. "O remédio será um ótimo aliado no controle dos sintomas de abstinência, que se manifestam principalmente nos três primeiros meses sem cigarro", diz a cardiologista Jaquelíne Issa, diretora do ambulatório de tabagismo do Instituto do Coração, em São Paulo. "Ainda assim, para conseguir deixar o cigarro definitivamente, é preciso promover mudanças profundas de hábitos de vida que, a longo prazo, reduzanl os riscos de recaída." O varenicline, que será vendido no Brasil sob o nome comercial Champix, deverá chegar ao país no início do ano que vem.

 

A constatação de que o cigarro faz mal à saúde é relativamente recente. Daí o atraso da indústria farmacêutica no desenvolvimento de medicamentos contra o vÍcio. Só na década de 80 surgiram as primeiras leis antitabagismo. Nos últimos vinte anos, a legislação relativa ao cigarro vem se tomando mais rigorosa em vários países, no mesmo caminho traçado pelos americanos. Na Europa Irlanda, Itália e Suécia proíbem que se fume em lugares públicos. Outros países, como Brasil e Canadá, determinaram que os maços estampem fotos pavorosa, e alertas sobre os possíveis danos à saúde de quem fuma. Esse cerco institucional tem um efeito colateral: muitos fumantes, infelizmente, acreditam que se trata de um cerceamento da liberdade individual. Recusam-se a aceitar que se trata de uma questão de saúde pública. O assunto ganhou até contornos ideológicos. Na França, por exemplo, fumar é "de esquerda" e ser antitabagista, "de direita". Uma cretinice sem tamanho.

 

A esperança é que a oferta de remédios mais efetivos contra o vício do cigarro, aliada à dureza das legislações nacionais, consiga banir definitivamente o tabagismo do planeta no prazo de um século. Página virada, as gerações futuras se espantarão ao saber que, no século XXI, 30 milhões de brasileiros cultivavam um hábito estranhíssimo: colocavam várias vezes ao dia fogo na ponta de um cilindro de papel de meio centímetro de diâmetro, recheado de tabaco seco, e sugavam uma pmte da fumaça que saía dele - o fumacê restante servia apenas para impregnar o ar, as roupas e tudo o mais que estivesse à sua volta. O que causará ainda mais espanto é que eles o faziam com pleno conhecimento de que a fumaça inalada por meio desse cilindro era causa de infartos, derrames, diabetes e vários tipos de câncer. •

 

COMO O REMÉDIO FUNCIONA

1- Cerca de uma hora e quinze minutos depois da ingestão do comprimido, o varenicline chega ao cérebro

2- As moléculas encaixam-se nos receptores cerebrais de nicotina.

3- Ao mesmo tempo que evita crises de abstinência, o remédio inibe a sensação de prazer proporcionada pela nicotina.

 

OS RESULTADOS

1- O tratamento à base de varenicline leva, em média, nove dias.

2- Os testes mostraram que, seis meses depois, 45% dos pacientes haviam parado de fumar.

3- Ao final de um ano, o índice de ex-fumantes caiu para 20% - ainda assim, foi quatro vezes maior do que no grupo que usou placebo. (fonte: laboratório Pifzer)

 

 

 

 

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