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CONEXÃO BOLÍVIA-BRASIL: DA FOLHA DE COCA AO PÓ DA COCAÍNA


Jornal O DIA, agosto de 2007
Texto de João Antônio Barros

 

 

Os olhos do menino Marcos, 13 anos, não têm tempo de ver o futuro. Estão fixados nas mãos pequenas que arrancam sem parar a maior quantidade possível das folhas de coca plantadas no vale à sua frente, na cidade de Cochabamba, na Bolívia. Seu trabalho consome 16 horas por dia nos sete dias da semana. O ritmo é alucinante e serve como termômetro do boom que vive o mercado da coca boliviana. Só nos últimos dois anos, as planta¬ções dobraram a área cultivada e chegam a 35 mil hectares. E avançaram sobre as florestas e reservas indígenas.

 

O resultado final e assustador desse empreendimento pode ser notado no portão da casa do carioca: nunca a oferta de drogas foi tão grande e barata nas bocas - de- fumo dos morros e favelas do Rio de Janeiro, um mercado que caminha para ser monopolizado pela coca boliviana (da droga consumida aqui, 80% são ‘made in’ Bolívia). Uma prova da grandeza é que só este ano, o estado será o destino final de 16 toneladas de coca, segundo estimativas da ONU e do Departamento de Narcóticos da Bolívia. Os números mostram ainda que os traficantes do Rio vão vender 13 quilos a mais de cocaína por dia.

 

Uma centelha para pôr ainda mais fogo na guerra entre as quadrilhas do Rio. Fogo e muito dinheiro: na mesma proporção que cresce floresta adentro e estica suas cercas para bem longe dos acordos internacionais, o mercado da coca boliviana faz o tráfico movimentar fortunas. Serão 120 toneladas de cocaína produzidas este ano e o Brasil ficará com pelo menos 50 toneladas, segundo o trabalho da ONU. Quantidade que fará o crime organizado movimentar perto de US$ 750 milhões (R$ 1,5 bilhão) em 2007 no Brasil, enquanto o Rio verá circular US$ 240 milhões (R$ 480 milhões).

 

Um mundo efervescente que criou na fronteira entre o Brasil e a Bolívia pelo menos 20 cidades brasileiras dependentes das drogas. É onde os traficantes reinvestem parte do dinheiro ganho no crime organizado em fazendas e comércio, a chamada lavagem de dinheiro, e acabam criando empregos e pagando impostos. Do lado boliviano, os pregões do pó se instalaram nas feiras-livres das cidades vizinhas à fronteira, onde traficantes anunciam ter cocaína e armas.

 

O fantástico lucro da coca só não chega ao bolso de quem vive da plantação. Com a avalanche da produção, eles são pressionados a vender aos atravessadores a colheita quase a preço de banana (lá, a fruta vale cinco vezes menos do que as folhas de coca). É a triste constatação de Marcos. Há 20 dias, ele assistiu sua mãe negociando por exatos R$ 186 todo o trabalho de três meses dos pais e dos três irmãos. Com a produção da família, os traficantes vão ganhar R$ 20 mil. .

 

 

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