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ELAS BEBEM DEMAIS


 

Revista Veja, dezembro de 2002
Texto de Rosana Zakabi

 

 

Sempre foi assim: na juventude, os rapazes tomam alguns porres homéricos. A novidade é que isso também está se tomando normal entre as garotas. Elas vêm abusando do álcool com uma sede sem comparação com a da geração de suas mães. Até o início dos anos 90, de cada cinco jovens que procuravam ajuda médica devido a problemas de alcoolismo, apenas um era do sexo feminino. Hoje, a média é de dois rapazes para uma garota. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) concluiu no fim de outubro um estudo com 318 calouros com idade entre 18 e 20 que bebiam pesado mais de duas vezes por semana. Descobriu que as meninas não só bebem em quantidade semelhante à dos rapazes como também se envolvem quase na mesma proporção em acidentes de carro quando estão embriagadas. "A relação encontrada foi de três garotas acidentadas para cada cinco rapazes", diz Florence Kerr Corrêa, professora de psiquiatria e coordenadora da pesquisa. Durante o levantamento, a universidade promoveu uma campanha de conscientização para diminuir o consumo de álcool entre os estudantes. Em seis meses, o porcentual geral de acidentes de carro envolvendo alunos embriagados caiu de 15% para 7%. Mas, entre as garotas, a queda foi menor: passou de 10% para 8%.

 

 

A bebedeira é sintoma de uma mudança maior no comportamento das adolescentes. Na última década, elas ganharam maior liberdade para freqüntar bares, festas e danceterias, acabaram adquirindo algúns dos maus hábitos masculinos. "Elas passaram a ser educadas em casa da mesma forma que os garotos", diz o psiquiatra paulista Içami Tiba, autor do livro sobre o comportamento dos adolescentes. "Se os filhos podem tomar alguns goles de cerveja ou caipirinha em churrascos ou reuniões de família, as garotas também conquistaram o direito de fazer o mesmo." Uma complicação é que, nesse aspecto. também há uma diferença entre os sexos. Estudos mostram que as mulheres tendem a ficar tão embriagadas quanto os homens com apenas metade da dose to¬mada por eles. Isso decorre da maior quantidade de gordura corporal e, portanto. menor quantidade de água no organismo feminino. Os médicos acredi-tam que elas também possuam em menor quantidade alguns tipos de enzima que metabolizam o álcool no êstômago.

 

 

Ela não apenas estão bebendo mais como também começando a fazê-Io mais cedo. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) entrevistaram 6 417 jovens de 10 a 20 anos para descobrir como anda o consumo de álcool entre eles. Concluíram que 20% dos meninos e 15% das meninas entre 10 e 12 anos haviam ingerido álcool nos últimos trinta dias. Entre 13 e 15 anos, o percentual foi maior: 43% dos garotos e 40% das meninas tinham consumido bebidas alcoólicas. Grande parte das mulheres que procuraram os 91 postos de atendimento dos Acoólicos Anônimos no Distrito Federal tem entre 19 e 20 anos. Cinco anos atrás, a média era de 30 anos ou mais. "A maioria das mulheres só busca ajuda quando percebe que chegou ao limite e perdeu o controle sobre a bebida", diz Denise De Micheli, pesquisadora do departamento de psieobíología da Unífesp.

 

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